Martinho da Vila regozijado por voltar “Tenho sempre saudades de Angola”


O músico brasileiro Martinho da Vila manifestou-se hoje, em Luanda, regozijado por voltar a cantar em Angola ”numa actividade e num momento especiais”, 35 anos depois, com particular realce de rever amigos, assim como manter contacto com a cultura angolana.

Em entrevista a jornalistas à margem de uma conferência de imprensa de apresentação do elenco musical que se vai exibir por ocasião do relançamento do projecto Kalunga II, o sambista (de 77 anos de idade), manifestou-se satisfeito por encabeçar a lista de cantores brasileiros convidados para este evento.

“Tenho sempre saudades de Angola, pelo que vou aproveitar esta oportunidade para rever alguns locais e amigos, em especial o escritor Artur Pestana “Pepetela”, que esteve comigo pela última vez em Novembro, em São Paulo (Brasil) ”, expressou, adiantando que o elenco em causa gravou uma música nova para apresentar na abertura da actividade.

A música, prosseguiu, retrata os laços de amizade e irmandade entre Angola e Brasil, assim como parte da história comum dos dois países. “Portanto, eu penso que este show vai permitir relançar o intercâmbio profissional entre artistas angolanos e brasileiros que precisam unir-se cada vez mais”, augurou.

Na ocasião, Martinho da Vila admitiu gostar muito de ouvir músicas angolanas cantadas nas línguas nacionais quimbundo e umbundo, motivo pelo qual fez uma versão do tema “Calumba” de Elias Dyakimuezo (o rei do semba), um facto que registou muita admiração dos brasileiros.

“Confesso que não estou muito bem inteirado sobre a música angolana dos últimos tempos, porque acostumei-me a ouvir os cantores tradicionais. Pois, esta minha vinda vai possibilitar investigar um pouco mais e, quiçá, fazer algumas parcerias. Mas conheço muito bem o kuduro e até já reparti o palco com certos kuduristas no Brasil” – revelou.

O conceituado músico considerou especial este momento que vem para cantar para os angolanos, por coincidir com o facto de o Brasil estar a completar 193 anos de independência (a 7 deste mês de Setembro) e a República de Angola a preparar-se para comemorar os seus 40 anos, desde que se libertou do julgo colonial português.

“Para todos angolanos endereço uma mensagem de luta, trabalho, perseverança, amor e crença no futuro. Eu vim aqui em Angola ainda no tempo colonial e depois passei a vir algumas vezes, e tanto é que os primeiros músicos angolanos a irem para o Brasil fui eu quem os levou” – adiantou, sublinhando que alguns amigos o tratam por Martinho da Huila.

O show Kalunga II acontece no dia nove deste mês, no Lookal (em Luanda), numa co-produção da Embaixada do Brasil em Angola e o Instituto de Desenvolvimento Educacional Internacional de Angola – IDEIA, marcando o ressurgimento (35 anos depois) do projecto com o mesmo nome.

Entretanto, além de Martinho da Vila, o evento vai contar com as exibições Elba Ramalho, Francis e Olívia Hime, Geraldo Azevedo, Mart’Nalia, Miúcha, Mariene de Castro, Nei Lopes e Yamandu Costa, que se manifestaram também orgulhosos por estarem em Angola, para a qual trazem mensagens de fé, paz e amor.

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