Bolseiro angolano acusado de matar professor em Cuba terá a sua sentença próxima semana


Depois de muito tempo preso sem ser ouvido, finalmente Armindo Leitão Jeremias, estudante angolano bolseiro em Cuba, de 28 anos, acusado de matar o ex professor, teve a sua chance no julgamento que aconteceu nesta última sexta-feira, 11 de Junho, no Tribunal Provincial Popular de Havana. Após ler a parte de acusação, o juiz ouviu em declarações o jovem que negou todas as acusações.

Na sessão que durou seis horas, o estudante finalista do curso superior de Sistema de Informação de Saúde, da Faculdade de Tecnologia da Saúde da Universidade de Ciências Médicas de Havana, declarou ser inocente e lamentou o facto de nunca ser ouvido desde a sua detenção.

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“Nunca me ouviram, apenas me acusaram e nada mais. No dia anterior aos factos, eu queria trocar dinheiro, 190 cuc (moeda local) por dólares americanos. Como sempre, o professor era a pessoa que nos fornecia os dólares, dávamos o dinheiro e só depois recebíamos o que nos pertencia. Ele sempre ia sozinho, tanto que pedi muitas vezes para o acompanhar e ele sempre recusou. Apenas dizia para não me preocupar e no dia seguinte apareceu morto”, explicou.

De acordo com a explicação do estudante, o professor cubano apareceu em sua residência no dia em que desapareceu e apresentava um ar preocupado. Questionado pelo estudante se passava-se algo, o docente terá respondido que estava tudo bem e dirigiu-se ao banheiro, onde usou uma toalha que pediu ao discente, deixando-a ensanguentada e tendo de seguida se despedido do mesmo.

Armindo contou que ajudou o professor a conferir o dinheiro por volta das 10 horas, e só voltou a vê-lo por volta das 14 horas, quando este surgiu em sua residência com ar de cansado como se tivesse corrido.

“O professor contou o dinheiro e disse que mais tarde voltava, tudo isso foi por volta das 10 horas. Ele foi embora e eu fui dar as minhas voltas, mas como o tempo passava, fui ligando para ele e ele não atendia. Fiz várias chamadas e o professor não atendia, então passei em Fetesa, minha residência estudantil, perguntei por ele, e ninguém sabia onde ele estava” explicou.

Armindo Jeremias disse ao juiz do Tribunal de Havana que apenas tomou conhecimento da morte do amigo e ex-professor nas redes sociais.

O tribunal colheu também os depoimentos das testemunhas no processo e agendou para a próxima semana a leitura da sentença. A primeira testemunha foi uma senhora que vive ao lado da residência onde foi encontrado o corpo do professor cubano, que afirmou ter visto pela manhã um jovem arrastando uma mala, e que o seu tom de pele e características físicas nada têm a ver com o bolseiro angolano, pois tratava-se de um jovem de pele clara. A última testemunha foi uma jovem que afirmou ter passado a noite com o estudante angolano, tal como assegurou Armindo Jeremias no seu depoimento.

A defesa do cidadão angolano afirmou em tribunal que não existem provas substanciais para incriminar Armindo Jeremias. Assistiram ao julgamento amigos, ex-colegas e o representante do Sector de Estudantes da Embaixada de Angola em Cuba, Eugénio Novais.

Por: Victória Pinto


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