Celso Malavoleke aconselha a melhorar a qualidade de serviço para reter clientes nas telecomunicações


Com o distanciamento social imposto pela pandemia da covid-19, as pessoas foram obrigadas a recorrer cada vez mais às telecomunicações. Actualmente quase tudo se faz à distância e com o auxílio das novas Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs). Porém numa altura que a demanda aumenta, verifica-se a tendência da redução da qualidade de serviço.

A tendência deve ser a inversa. Os provedores desses serviços devem agora apostar seriamente numa estratégia de retenção dos clientes que a pandemia lhes está a oferecer. E isso tem necessariamente que ser feito por via da excelência dos serviços prestados. Isso aplica-se aos serviços de telefonia, rede de computadores ou serviço de computação em nuvem cada vez mais beneficiados – mas também pressionados – por um número crescente de clientes. Por via dessa pressão, a qualidade do serviço pode baixar, nos aspectos relacionados ao serviço de rede, como perda de pacotes, taxa de bits, taxa de transferência, atraso de transmissão, disponibilidade, jitter, etc. Por isso, os operadores de rede serão avisados se investirem na capacidade da rede para oferecer padrões mínimos de
serviço.

A situação é semelhante no nosso país, com o aumento do tráfego de rede que se verifica ultimamente em Angola à medida que as políticas de distanciamento social entraram em vigor e as pessoas foram forçadas a trabalhar, estudar e procurar informação e entretenimento importantes a partir de casa. Dali que não seja despiciendo que à medida que o mundo se aproxima da adopção em larga escala de 5G com a sua promessa de conectividade Giga-bps, fibra de banda larga e conectividade 4G omnipresente como um retrocesso na era 5G, mais deva ser feito para reduzir as lacunas de acesso à infraestrutura entre Angola e o resto de África e do mundo. A participação de Angola na Internet e a penetração de telefones inteligentes ainda é relativamente pequena se comparada aos outros países do continente e da região da SADC, possivelmente devido em parte à fraca disponibilidade de infraestrutura em todo o país.

É já dado adquirido que à medida que Angola for intensificando programas para impulsionar a adopção e a participação na Internet, os seus cidadãos continuarão a melhorar suas habilidades e conhecimentos digitais. Com isso, haverá uma consciencialização cada vez maior sobre os desafios da largura de banda da rede, à medida que mais serviços digitais são consumidos por mais pessoas nos lares.

A demanda por conectividade de qualidade e experiências de rede crescerá na mesma proporção. Na verdade já cresce a uma velocidade estonteante. Dados do Instituto Nacional de Telecomunicações de Angola (INACOM) dizem que 6,17 milhões de utilizadores acederam à Internet só em 2019 (cerca de 20% da população), sendo que metade dos utilizadores de Internet de Angola a ligar através de dispositivos móveis). Essa tendência aponta que, a muito breve trecho os ainda muitos milhões de angolanos que permanecem desconectados e excluídos digitalmente vão entrar no mercado e pressionar os serviços.

Por isso é preciso Angola enfrentar os vários desafios com o fornecimento de infraestruturas à maior parte do país fora das áreas urbanas desenvolvidas. A distribuição de electricidade nas áreas rurais atingiu apenas 3,8% e as actuais infraestruturas de transporte e logística requerem grandes actualizações para atrair o investimento necessário para desenvolver a economia. A cobertura rural em Angola e a qualidade da conectividade e, portanto, a qualidade da experiência são ainda afectada nas áreas que precisam de mais desenvolvimento.

 

Artigo de opinião:  Celso Malavoleke

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