Fenómeno sócia: Uma nova forma de compra após alterações dos produtos da cesta básica


Com o país enfrentando vários problemas sócio-econômicos desde a crise que teve início  nos finais de 2014,  e que continua assolar até hoje, tirando cada vez mais das famílias angolanas o poder de compra.  Em consequência  disso, donas de casa lidam com dificuldades na aquisição de alimentos devido aos preços altos dos produtos alimentares nos mercados. Estas são obrigadas a recorrer as chamadas “sócias” dos produtos.

O  Angorussia,  saiu às ruas para ouvir o relato de mulheres  que fazem compras compartilhadas. Questionadas sobre os desafios que encontram nos armazéns, as senhoras apontaram o alto preço dos produtos como a maior razão que as leva a associar os valores monetários no intuito de se comprar em grandes quantidades e depois dividir.

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De acordo a senhora Maria, os gerentes dos armazéns justificam que a importação foi afectada devido a desvalorização do kwanza e com isso os preço dos produtos foram também afectados, mas a mesma diz não ver motivo para os produtos de produção nacional seguirem por este caminho.

“Até os produtos feitos em Angola estão muito caros, o saco de açúcar  da marca “Kapanda ”por exemplo, está 21.600, é feito em Angola mas é o que está mais caro actualmente, disse.

Repartir o produto entre duas,  três ou quatro pessoas tem sido a única maneira de levar para casa uma quantidade considerável de alimentos, mas ainda assim muitas não conseguem atingir este objectivo. Segundo uma  comerciante que preferiu não ser identificada, até para fazer sócia por vezes é muito difícil, porque muitas vão com pouco dinheiro e dependem  que apareça 3 ou 4 pessoas para poder comprar e há dias que não tem pessoas disponíveis para comprar o mesmo produto.

“ No final do mês  entre os dias 27, 28 e 29 são os dias que tem mais enchente, se aparecermos aqui fora nestes dias é muito complicado, não há pessoas para fazer sócias, nós que não temos dinheiro ficamos condicionadas” frisou a comerciante.

A mesma disse ainda que o  governo deveria fazer um esforço para baixar pelo menos o preço do  arroz, óleo, trigo, açúcar e fubá de milho, que são os produtos mais presentes nas mesas das famílias angolanas.

Nos armazéns existem mulheres, que se dedicam ao trabalho de chamar sócias, são elas que se encarregam de procurar donas de casa que queiram dividir os produtos, em troca de 100 ou 150 Kwanzas. A “chamante de sócia” Dona Neusa, declarou que sofrem ataques das clientes, pois não valorizam o esforço que as mesmas fazem para conseguir sócias.

 “ As clientes reclamam que o preço é injusto  e que estamos a explora-las, só que elas se esquecem  que se tivessem que procurar alguém  seria cansativo, eu é que tenho que me sacrificar a gritar até encontrar pessoas que queiram comprar o produto” realçou.

Algumas mulheres relataram  que antigamente não dividiam nem o  saco de arroz, com 15 mil era possível comprar todos os produtos da cesta básica,  mas hoje em dia é preciso 40 mil Kwanzas para fazer uma compra considerável. O arroz é apontado como o produto que mais causa motivo de revolta, pois pelo preço alto que se encontra é dividido por 3 a 4 pessoas e não chega para o consumo de 1 mês, em 15 dias a fome se instala em casa.

 

 

Por: Stela Quilalo

 

 

 


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