Colégio Julieta Essanju nega receber criança autista


A Inspecção-Geral da Educação abriu um inquérito ao colégio Julieta Essanju, localizado no distrito urbano da Ingombota, município de Luanda, após uma denúncia da mãe de uma criança autista, que acusa o estabelecimento escolar de ter deixado de receber o menor, de cinco anos.

De acordo com o Jornal de Angola, a criança foi rejeitada quando se deslocou ao colégio no primeiro dia de aulas, uma atitude que a mãe diz não entender, por ter feito a matrícula, depois de ter recebido, da própria directora, a garantia de que a instituição de ensino tem “carácter de inclusão”.

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Na denúncia pública, a mãe do menor autista referiu que o pequeno foi mandado de volta à casa, em menos de 30 minutos depois de ter chegado ao colégio, tendo a progenitora sido comunicada que o estabelecimento escolar já não continuaria com o menino, sem ter dado “qualquer explicação”.

No dia seguinte, a mãe do menino deslocou-se ao colégio imbuída do pensamento de que pudesse ter havido “uma acção impensada” e chegar a um acordo para o seu filho retomar as aulas. À chegada à escola, a senhora e o filho encontraram um ambiente hostil.

“As professoras afastaram-se ao nos verem a chegar e a directora, publicamente e de forma ríspida, alegou não ter nada para falar comigo e que eu devia tratar tudo na secretaria para a retirada do menino do colégio”, lê-se no texto que circula nas redes sociais.

A senhora abandonou o local sem ter recebido uma explicação que possa estar na base da decisão do colégio, cuja direcção “rejeitou e desprezou, sem qualquer dignidade”, o filho.

A mãe do menor disse estar ainda mais revoltada por admitir que o colégio Julieta Essanju pode vir a não sofrer “qualquer consequência”, por ter rejeitado um aluno com necessidades educativas especiais.

A criança que está na origem da abertura do inquérito tem atraso na fala, é hiperactiva e “processa as informações muito lentamente”, de acordo com a mãe, que disse ainda ter o filho começado a falar agora e já consegue criar frases com duas ou três palavras.

“Já é uma grande evolução, porque, anteriormente, ele dizia apenas uma palavra”, explicou a senhora, comentando que o filho já consegue dizer, por exemplo, “mamã, quero água”, quando, anteriormente, só dizia “água”.

Na sequência da denúncia pública, um inquérito foi aberto pela Inspecção-Geral da Educação, que está a trabalhar no caso com o Gabinete Provincial da Educação de Luanda. A direcção do colégio foi ouvida na sexta-feira e, na segunda-feira, a mãe da criança.

 

JA