Angolanos forçados a abandonar escola por causa da Seca no Cunene


Alunos do ensino primário e secundário de algumas localidades do Cunene, sobretudo rapazes, estão a abandonar as aulas para se dedicarem à pastorícia, em consequência da seca que assola a província desde Outubro do ano passado.

Angolanos forçados a abandonar escola por causa da Seca no Cunene

Segundo apurou a Angop, essa realidade vive-se, essencialmente, na povoação do Ombwa, comuna do Oncocua, município do Curoca, no Evale (Cuanhama) e em Ontchinjao (Cahama), situação que preocupa as autoridades locais e faz aumentar o número de reprovações.

O administrador comunal interino do Ombwa, Adriano Samba, explicou que devido à estiagem muitas crianças estão a ser obrigadas a abandonar os estudos, para seguir os pais na transumância (deslocação de pastores e rebanhos na procura de pasto) e na procura de alimentos para o sustento da família.

“(….)  As crianças abdicam dos estudos porque, em tempo de seca, os pais, criadores, tornam-se nómadas, uma vez que têm de percorrer longas distâncias (por vezes mais de 100 quilómetros) até encontrarem comida e água para o gado”, esclareceu o também secretário do soba.

É uma prática frequente em várias povoações e comunidades dos seis municípios do Cunene, nomeadamente Cuanhama, Cahama, Curoca, Namacundi, Ombanja e Cuvelai.

A nível da província estão matriculados, no presente ano lectivo, 214 mil 311 alunos, sendo 168 mil 510 no ensino primário, 30 mil 587 no primeiro ciclo e 15 mil 214 do segundo ciclo. O sistema é assegurado por seis mil e 298 professores, distribuídos por 868 escolas.

Dessas instituições de ensino, 792 são do ensino primário, 56 do primeiro ciclo e vinte do segundo ciclo, mas por insuficiência de salas, 72 mil e 327 crianças do ensino primário frequentam as aulas ao ar livre, devido ao deficit de cinco mil 598 salas de aula.

A história lembra o filme recém lançado da Netflix, “O Rapaz Que Prendeu o Vento”, que passa-se inteiramente em África, mais concretamente no Malawi, no início do milénio, em 2001.


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