Angola quer cinco anos para comprar 390 milhões de dólares em kwanzas à Namíbia


Angola terá de gastar 390 milhões de dólares em divisas para recomprar ao Banco da Namíbia os 32 mil milhões de kwanzas que entraram naquele país vizinho nos cerca de cinco meses que durou o acordo monetário.

Depois de em julho, ao fim de um mês, ter sido considerado como em situação de “descontrolo” no lado namibiano, por exceder largamente os montantes estipulados para aceitação recíproca da moeda de cada país, o acordo entre os bancos centrais de Angola e da Namíbia foi suspenso esta quarta-feira.

Numa altura de fortes restrições no acesso a divisas em Angola, este acordo, que pretendia facilitar as trocas comercias entre as localidades Oshikango (Namíbia) e de Santa Clara (Angola), terá sido utilizado para a troca de elevadas quantidades de kwanzas por dólares namibianos.

O resultado é que desde o início da aplicação do acordo, a 18 de junho, o banco central namibiano acumulou 32 mil milhões de kwanzas nos seus cofres, trocados nas casas de câmbio e bancos da fronteira com Angola.

As autoridades namibianas reclamam agora a recompra destes kwanzas – que não têm utilização naquele país – com o pagamento de 390 milhões de dólares (358 milhões de euros), segundo explicação prestada pelo governador do Banco da Namíbia, Ipumbu Shiimi.

“O governo de Angola está disposto a comprar até 20 milhões de dólares por trimestre”, anunciou na quarta-feira Ipumbu Shiimi, citado pelo jornal “The Nanibian”.

Ou seja, a este ritmo de compra dos kwanzas que estão na Namíbia – 80 milhões de dólares (73 milhões de euros) por ano -, Angola deverá levar praticamente cinco anos a concretizar a operação.

Angola vive uma profunda crise financeira e económica decorrente da forte quebra da cotação internacional do barril de crude, que por sua vez fez diminuir a entrada de divisas no país, levando o BNA e os bancos comerciais a restringirem o seu acesso aos clientes, que fez disparar os preços e dificulta as importações, além da forte desvalorização kwanza.

A Namíbia deixou de aceitar na quarta-feira o kwanza angolano como moeda de troca no norte do país, cinco meses depois de o acordo entre os bancos centrais dos dois países ter entrado em vigor.

A decisão consta de um comunicado conjunto dos dois bancos centrais noticiado esta semana pela Lusa, em que se recorda que o acordo monetário, que entrou em vigor a 18 de junho, abrangia moradores daquelas duas cidades fronteiriças, que podiam usar as respetivas moedas nacionais no país vizinho, até 3.500 euros por pessoa, para “facilitar o pagamento de bens e serviços”.

Acrescenta o comunicado que na sua aplicação foram observados “desafios” no processo, como a “troca de moeda fora do âmbito do acordo”, nomeadamente em termos de quantias.

Apesar das “medidas” entretanto introduzidas, essas dificuldades “não foram resolvidas completamente”, levando à suspensão do acordo.

As duas instituições anunciam que um “novo mecanismo” para conversão de moeda será iniciado a 21 de dezembro de 2015, centralizado no BNA e apenas disponível nos bancos comerciais angolanos.

O Banco da Namíbia passará a emitir dólares namibianos para o BNA, o qual assumirá a gestão e disponibilização da moeda aos bancos comerciais e no posto transfronteiriço de Santa Clara (sul de Angola).

“Os namibianos que desejarem converter os dólares da Namíbia em kwanzas angolanos ou que desejem converter os seus kwanzas para dólares da Namíbia serão capazes de o fazer em bancos comerciais em Angola”, lê-se no mesmo comunicado dos dois bancos centrais.

“Isto significa que não haverá nova troca de kwanzas na Namíbia”, informam ainda.

No acordo inicial, cada cidadão residente cambial podia viajar para o país vizinho (e efetuar transações) com entre 150.000 kwanzas (1.050 euros) e 500.000 kwanzas (3.500 euros), entre menores e maiores de idade, respetivamente, quantias que só podiam ser trocadas nas casas de câmbio ou instituições bancárias das duas localidades.

Lusa

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