Até pouco depois da década de 80, o alambamento era uma proposta simples em que o noivo pedia à família da noiva, especialmente ao tio, a sua mão em casamento. O pedido normalmente envolvia uma troca de roupa para a mãe ou tia da menina, uma garrafa de vinho para os pais e tios e algum dinheiro incluído na carta de proposta.

Foto: folha.uol.com.br
Entretanto, já há alguns anos que o alambamento se tornou uma actividade cultural que envolve uma considerada “fortuna”, devido algumas exigências familiares feitas ao noivo, entre elas quantias excessivas. Muitas famílias chegam inclusive a realizar festas que envolvem grande investimento e que podem durar dois ou mais dias.
O alambamento é uma tradição praticada por vários países africanos e é frequentemente considerada mais significativa do que o casamento civil ou religioso.
Independentemente de cada província ou etnia, o casamento tradicional obedece algum critério que vai muito além de anel no dedo, joelho dobrado apoiado no chão. É um enlace de grande importância, uma vez que enaltece a família e é visto como o ‘pilar’ da felicidade.
Carta de Intenção
A carta de intenção é feita recorrendo a uma “carta modelo” vendida em Angola, na qual se resumem as intenções do noivo. É com esta que se inicia o procedimento da conversa em reunião. A carta deve ser envolvida num lenço branco e fechada com um alfinete, registando assim a sua pureza. Geralmente, é feita e assinada pelo representante ou o tio mais velho do noivo.
Lista de pedidos
A lista de pedidos (ou a factura) é uma exigência da família da noiva. Consiste numa lista elaborada pelos tios, da qual consta uma relação de coisas que o noivo deve comprar para a família da noiva. Entre os elementos fundamentais da lista contam-se volumes de cigarros, caixas de fósforos, panos holandeses (devido à sua qualidade), dinheiro, fatos, calçado e bebidas.
O acto de alembamento
São estendidos panos africanos (panos do kongo) no local da cerimónia para a recepção do noivo, uma espécie de passadeira. Antes da sua entrada, são depositados valores em dinheiro (geralmente notas) pela família do noivo.
Ao entrar, o noivo é cercado pelas tias da noiva, que fazem um serviço de preparação, como se de um rei se tratasse. Limpam-lhe os sapatos, arranjam-lhe o fato, limpam-lhe o suor da testa e carregam-no ao colo (um ritual especialmente desempenhado em famílias bakongo).
Já na sala de reunião, do lado direito, a família do noivo; do lado esquerdo, a família da noiva. Em frente e ao centro, numa espécie de altar, duas cadeiras para os noivos. Inicia-se a cerimónia com base na carta do pedido.
O moderador da família da noiva inicia a cerimónia, apresentando todos os familiares que o acompanham. De seguida, dá a palavra ao orador da parte do jovem, que também procede a apresentação de quem o acompanha.
Durante todo o processo a noiva nunca está presente, só aparece se as famílias chegarem a acordo. Estando todos de acordo, é analisada a lista para averiguar se tudo o que foi pedido está correto. Tudo o que foi pedido deve ser envolvido em panos africanos.
Passado este momento, entra a noiva e mais duas mulheres forradas de panos para que o noivo indique quem é a sua noiva, se acertar é aplaudido, porém, se errar deve pagar uma multa correspondente a um valor simbólico. Após o processo todo do alambamento, há famílias que ainda realizam uma festa para celebrar o momento e outras optam em realizar apenas um almoço simples em casa para no dia seguinte avançar com o casamento no civil ou religioso.
Vale reforçar que, em Cabinda, a entrega do dote ou alambamento é a condição indispensável para que haja casamento tradicional. Este chega mesmo a ter maior impacto e valor que o casamento civil ou religioso. A não entrega do dote acarreta consequências graves que podem reflectir, segundo os mais velhos, na infertilidade da noiva ou na doença dos filhos.
Actualmente, as facturas atípicas para o dote com artigos exagerados e somas avultadas em dinheiro, incluindo bens nunca antes pedidos tradicionalmente, nomeadamente geradores, plasmas, terrenos e materiais de construção, tem frustrado o sonho de muitos jovens que pretendem constituir famílias e criar lares felizes em Cabinda.
Ao contrário da longa lista de bens hoje pedidos à família do noivo, no passado o dote era considerado um gesto simbólico e de respeito à família da noiva e era composto por utensílios de lavoura como enxada, catana, uma arma de fabrico caseiro para o sogro, bens alimentares, 10 litros de vinho tinto e igual quantidade de óleo de palma, peixe seco, peças de pano, indumentária para a sogra e a noiva, animais domésticos como galinhas, cabrito, patos e porcos, aguardente e um valor simbólico em dinheiro.





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