Peça teatral “Elas Não Precisam de Homens?” leva teor de reflexão de situações vividas por mulheres angolanas


Em alusão ao “Dia Internacional da Mulher, o projecto “Mentes Fabulosas”, apresentou neste domingo (08) de Março, no centro de conferência de Belas (CCB), a peça de teatro “Elas Não Precisam de Homens?”, que retratou em duas horas, a vida de 6 amigas de longa data que se encontram para a despedida de solteira de uma delas e falam de uma forma verdadeira, e práctica de se compreender umas as outras, onde cada uma das personagens mostrou que uma mulher não precisa de homem mas sim de ter um parceiro para vida.

Pela primeira vez em exibição, “Elas Não Precisam de Homens?” marcou a celebração do “Dia Internacional da Mulher”, assinaldo neste domingo (8) de Março. A referida peça, que teve duração de 2 horas, é de autoria de Andreza Amaro, e é baseada em histórias vividas diariamente por mulheres de toda parte do mundo, onde seis amigas de longa data se juntam nove anos depois num misto de emoções que desencadeia revelações chocantes, descobertas incríveis, um encontro que marcoue definiu o caminho de cada uma delas.

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Com a sala totalmente lotada, a obra comédia, que levou todos os presentes a uma profunda reflexão, intuito de mostrar uma realidade, diferente em torno das mulheres bem resolvidas em termo de posicionamento na sociedade, como ter um bom emprego, família, ainda ser uma boa dona de casa.

Um dos momentos mais marcantes que com certeza ninguém vai se esquecer foi quando a actriz Edusa Chindicasse que deu vida a personagem de ‘Dudu’, uma lésbica, retratou sobre ter sofrido uma violação quando ainda tinha 9 anos, pelo Tio irmão do Pai, neste momento a sala remeteu-se ao silêncio, e entenderam o porque que ela tornou-se lésbica e como ficou enojada por homens.

“Na história do teatro angolano é a primeira vez que os bilhetes esgotaram, com 3 mil lugares no CCB foi inédito a nível do teatro angolano, por parte da direção do espetáculo. Estamos super orgulhosas porque acabamos por descobrir que a visão e o respeito pelas pessoas acabam por mudar, as pessoas foram pontuais e queriam cá estar e assistir o teatro então é um momento histórico. Foi o facto de privarem as mulheres de um forma abusiva, e também tem o facto da mulheres doaram-se para vida dos outros e a peça foi dura crua e nua do principio ao fim a intenção era falar as palavras certas, e a nossa sociedade não estavam a costumada a falar os nomes certos disses”, disse Edusa Chindecasse.

A peça realça a forma abusiva que muitas mulheres são tratadas, por exemplo a dona de casa tem de lavar, engomar, cozinhar, arrumar, lavar a louça e cozinhar mas mesmo muitas vezes acabam por não ter o devido reconhecimento do seu parceiro. E também o facto das mulheres doaram-se para vida dos outros, e nunca têm tempo para elas. As falas da peça trouxeram uma reflexão dura, nua e crua, do principio ao fim. a intenção era falar as palavras certas, em uma sociedade meia reservada e cheia de tabu que não está acostumada a falar os nomes de certos das coisas.

Por outro lado, Henesse Cacoma relatou que se revê em alguns aspectos com o seu personagem “Nádia”, o lado doce, fofinho e meigo. Já Vanda Pedro “Madalena ou Mada”, responsável pela produção da peça, contou em conversa com o AngoRussia, que teve muito trabalho com sua personagem foram noites mal dormidas.

“Representar a ‘Mada’ não foi difícil, uma vez que já fiz comédia, e a mesma é uma exagerada não sei se é azar ou sorte só me põem a fazer comédia, representei todas as madalenas, sinto-me orgulhosa por ter feito. E quando insisto no teatro a minha família diz que tenho de fazer outra coisa como economia, direito porque não encaram o teatro como uma profissão. O teatro angolano está saudável e maravilhoso”, reconheceu depois da noite.

Lesliane Pereira que já deu vida a outras personagens marcantes como da eterna ‘N’zinga Bande’, subiu ao palco com o personagem “Helena”.

“Foi divertido fazer, mesmo em palco, consegui ver a notoriedade do público a vibrar. É a segunda peça que faço e a grande estreia também foi no CCB, cada projeto é um projeto tem um sabor diferente ainda mais sendo com mulheres tem um sabor especial por ser no 08 de Março. Foram muitas horas de trabalho e também muito exaustivo, Helena como o resto das personagens, teve uma sinceridade muito grande, foi expressiva e não teve medo de falar e dar os nomes as coisas, comunicaram com verdades.  Quem sabe com o retorno que tiveram nesta noite, mostrarem a realidade das personagens para Angola a fora”, contou.

“A peça toda como um só, foi com total provocação, para levar-nos a reflexão que o teatro não serve para dar respostas mas sim para fazer perguntas, as pessoas saíram do espaço questionando-se se estamos a viver a vida como deve ser? Em tudo que estão a viver. Sinto-me lisonjeada por ser convidada, fui bem recebida pelas mulheres fabulosas, e super queridas com uma vontade para poder se pronunciar em palco, e por isso estou muito feliz. O público que veio pode comentar e não aquele que fica a comentar por cabeçalho as pessoas saíram inspiradas e cada uma das mulheres se reviram nas 6 personagens, que contam a história de muitas mulheres guerreiras que estavam no público”, relatou Marinela Mendes, mais conhecida por Lurinela nas redes sociais.

É de ressaltar que a peça teatral “Elas Não Precisam de Homens”, é uma produção das Mentes Fabulosas, direcção de Flávio Ferrão e encenação de Joel Mulemba, é uma produtora de conteúdos de artes em várias vertentes, com o foco predominante no teatro, que visa dinamizar a classe trazendo para o mercado produções com conteúdos inéditos, focando na valorização de escritores e fazedores de arte nacionais e tem como mentoras Vanda Pedro e Neide Van-Dúnem como Directoras artística.

Por: Anacleta de Oliveira


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