Euclides da Lomba mostra-se indignado pelo facto de Scró Que Cuia cantar de calções num casamento


O Director Nacional da Cultura e cantor angolano Euclides da Lomba, falou nesta quarta-feira (19), de Janeiro, sobre o estado actual dos conteúdos nas músicas nacionais, e relembrou um episódio vivido por Scró Que Cuia, durante a rubrica “Língua Afiada”,  do programa “A Tarde é Nossa”.

Ao dar um subsidio ao argumento do rapper Father Mak, Euclides da Lomba que estava em linha telefônica começou por dizer que é contra a cultura da censura, se não, haveria dificuldades em se compreender artistas como Bob Marley, Roberto Gil, Bonga e entre outros.

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“Eu não gosto da censura, acho que a criação é livre. Porque se não muitos dos grandes artistas não teríamos conhecido, como Bobby Marley, Chico Duarte, Gilberto Gil, Caetano Veloso. Aqui em Angola, teríamos problemas de entender o Bonga, o nosso grande Teta Lando, porque a censura as vezes não nos deixa chegar ao objectivo. Mas eu acho que a música no seu todo ela só se classifica em ‘boa ou má’, não tem termos intermédios. Acho que o mercado permite tudo isso, então as vezes o querer aparecer também não se esforça muito como disse o Father Mak, você vai para um telefone, faz uma filmagem e põe logo de acesso. A tendência é natural, o ser humano gosta disso, o que é proibido, imitar os comportamentos das estrelas principalmente americanas, não digo todas mas se elas não existissem antes nós talvez não estaríamos a fazer os gêneros musicais que fizemos hoje”, começou por falar o cantor.

Ainda na sua linha de abordagem o autor do sucesso “Desejo Malandro”, contou sobre um episódio que aconteceu, quando foi convidado para cantar num casamento e depois da sua actuação, apareceu outro artista a cantar de calções e que pelos vistos não tinha nada por debaixo da peça.

“Vou contar um episódio, mas Igor por favor não ri. Fui convidado para cantar num casamento e o casamento é uma festa bastante solene onde os noivos e casados se apresentam de etiquetas e vestidos caríssimos. Depois de eu acabar de cantar vem um artista nosso por detrás a cantar de calções num casamento, eu comecei a rir, ‘o que estamos aqui a fazer, desculpe-me lá Phather Mak, isso só pode ser mesmo Angola onde podemos coabitar’, o artista a seguir veio de calções, ouça bem, num casamento, e acho que nem tinha nada por debaixo porque sabemos como é que as coisas funcionam”. Expressou Euclides da Lomba</