Kia Henda leva a história do “Largo do Kinaxixi” ao Festival Internacional de Roterdão


O artista angolano Kiluanji Kia Henda desenvolveu, numa residência artística, no Porto, a maquete de um projeto que vai levar o “Largo do Kinaxixi” ao Festival Internacional de Cinema de Roterdão, em fevereiro.

Kia Henda explica que a instalação “Red Light Square – history is a bitch project: Kinaxixi” aproveita as transformações que foram acontecendo neste largo da capital angolana, ao longo dos vários períodos da sua história, para refletir sobre esse passado, do colonialismo à guerra civil, da paz e da expansão urbana, à ganância e à lavagem de dinheiro, acabando por atingir “uma dimensão universal”, identificável na relação de um povo com o seu espaço público e com a sua memória.

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O convite surgiu da organização do festival dos Países Baixos, que vai completar meio século este ano, com o artista nascido em 1979 a desenvolver “Red Light Square…” numa residência na cidade do Porto, no âmbito do programa INResidence, da empresa municipal Ágora.

No Instituto, o projecto ligado à arquitetura e artes visuais, desenvolveu “a maquete da instalação”, um retângulo de luz vermelho que define um espaço com “cinco figuras, cada uma representando um dos cinco momentos da cronologia do largo”.

“A performance no festival incluirá também música ao vivo e um texto recitado que vai revelando a história do Kinaxixi e de uma nação, não sem alguns adereços ficcionais. A história da performance é ligada ao corpo de uma mulher. De uma trabalhadora do sexo. É como criar um paralelo com as mudanças do largo. (…) Porque as mudanças não foram pacíficas, foram violentas, e o texto aborda isso. Estamos a falar sobre o largo, ou sobre um corpo específico, que é colonizado, que é violentado, um corpo que sofre toda uma metamorfose, como a própria História também”, esclareceu à Lusa.

Embora seja evidente que “Angola está lá”, na história daquela mulher, e do paralelo entre o espaço urbano e o corpo, há “uma dimensão universal” na relação de qualquer povo “com o espaço público, com a memória” e com os vários traumas que se desenvolvem ao longo da História, conforme explica o artista.

Artista multidisciplinar, que trabalha sobretudo com a fotografia, vídeo e a performance, Kia Henda tem como marcas do trabalho a reflexão sobre a memória coletiva e os espaços públicos, tendo vencido o Prémio Nacional de Arte e Cultura, do Ministério da Cultura de Angola, em 2012, e o Frieze Artist Award, da feira de arte londrina com o mesmo nome, em 2017.

O festival terá início no dia 01 de fevereiro e termina no dia 07 do mesmo mês.

 

 


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