Tchizé dos Santos exibe cabelo crespo em solidariedade aos estudantes impedidos de assistir às aulas e deixa apelo para os professores


A empresária angolana, Tchizé dos Santos, partilhou nesta quarta-feira, 28 de Setembro, uma imagem onde exibe o seu cabelo natural (crespo), em solidariedade aos estudantes principalmente do sexo masculino que estão a ser impedidos de assistir às aulas por conta de deixarem crescer os seus fios capilares, e deixou um apelo para os professores das referidas instituições.

Foto: Reprodução Instagram (@chizedos santos)

Tchizé recorreu ao Instagram, para expor a sua opinião a respeito do assunto que tem dado o que falar nos últimos dias. Na legenda da fotografia onde surge linda e radiante, a empresária começou por chamar a atenção dos docentes. E usou como exemplo alguns países da Europa que apesar de possuírem maioritariamente cabelos loiros e lisos, não expulsam os estudantes que possuem cabelos crespos.

“Senhores/as professores/as deixem os estudantes usarem o cabelo que quiserem por favor, parem de mandar tirar os penteados afro como condição para entrar na sala de aula. É muito triste um preto sentir-se melhor num país de população maioritariamente loira como o Reino Unido ou a Holanda (não falo de Portugal onde muitos são atrasadíssimos por se manifestarem publicamente racistas, homofóbicos e antissemíticos), porque na maioria dos países do norte da Europa não discriminam os pretos nas salas de aulas pelo cabelo afro ou o tom escuro da nossa pele como acontece no nosso próprio continente, África, e nos países mais subdesenvolvidos do sul da Europa, onde se inclui Portugal”, começou por escrever a empresária.

Tchizé teceu vários elogios, e mostrou-se bastante orgulhosa de ser africana. “Somos lindos, irresistíveis como o chocolate, viciantes como o café, doces como o caramelo, fortes como o aço e temos uma dentição perfeita como o marfim. Como africana digo que é uma vergonha o auto ódio que muitos negros com mentalidade de escravos modernos de culturas ocidentais ainda atrasadas, disseminam ao seu próprio semelhante, pelo tom de pele mais escura ou cabelo mais crespo, o que leva milhares de pessoas a morrer das consequências ao uso de cremes e outros fármacos clareadores de pele. Que vergonha para a raça negra essa cultura doente”

Tchizé dos Santos voltou ainda a tocar na questão da valorização da raça negra ao questionar, “Até na escola em Angola o preto já não pode ser preto em paz? Será tão difícil assim o estado fazer um maior investimento na promoção de uma cultura de amor e equidade? Estão demais”.

Ao concluir a sua abordagem, a empresária deixou uma observação, onde esclareceu que o seu texto não foi redigido com objectivo de ofender Angola e muito menos Portugal.

“OBS: O intuito deste texto não é ofender Portugal nem Angola como nações e sim falar de uma realidade que os portugueses e outros europeus, bem como os africanos e todos os seres humanos de bem deste mundo criticam e pretendem erradicar, para o bem da humanidade. Ninguém tem que ser obrigado a mudar a sua identidade para que lhe seja reconhecido o valor. Cada raça, cada género e cada cultura tem a sua beleza. Basta que aceitemos que o que torna o mundo fantástico é o facto de sermos todos diferentes e saibamos celebrar essa diversidade. Em vez de deixar que as diferenças nos dividam, devemos usar a diversidade e o multiculturalismo para fortalecer as nossas nações e torná-las mais competitivas”, finalizou.