Numa entrevista profundamente emotiva à SIC, o cantor Matias Damásio “abriu o coração” sobre a relação complexa que manteve com o pai durante a infância e juventude, partilhando momentos marcados pela pobreza, pela vergonha e, mais tarde, por uma transformação interior que redefiniu o seu entendimento sobre amor e presença familiar.

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Damásio revelou que durante “20 e tal anos” nutriu um ressentimento profundo pelo pai, alimentado pelas dificuldades financeiras que marcaram a sua infância. “Eu odiei o meu pai… um ódio daqueles, que eu nunca compreendi o facto do meu pai ser pobre”, confessou. Recordou episódios dolorosos de exclusão na escola, como o bullying, as humilhações e o desconforto de usar roupas remendadas que, na altura, atribuía à incapacidade do pai em oferecer-lhe melhores condições.
“Eu olhava para o meu pai como um homem fracassado… sem orgulho absolutamente nenhum”, disse.
Contudo, a maturidade e a experiência de paternidade trouxeram ao artista uma nova perspetiva. Hoje, reconhece que o verdadeiro valor do pai não estava no que podia dar materialmente, mas na presença constante e no apoio incondicional que sempre ofereceu.
“Por mais dinheiro que eu tenha, por mais concertos que eu faça, eu nunca vou conseguir ser como o meu pai”, admitiu, num dos momentos mais fortes da entrevista. “O meu pai era uma pessoa pobre, mas sempre esteve perto de mim… e eu estou longe de ser como o Raúl Damásio”, declarou.
O músico comparou a dedicação do pai com os desafios que enfrenta enquanto figura pública, frequentemente ausente da vida dos filhos devido à carreira. “Os meus filhos… eu estive provavelmente em três ou quatro aniversários. Quando começaram a falar, eu estava num país qualquer. Quando começaram a andar, mandaram-me uma foto, um vídeo”.
Ao reconhecer tudo o que perdeu desses momentos, Damásio afirmou ter finalmente compreendido o verdadeiro legado do pai. “Comecei a perceber o valor que o meu pai representa na minha vida”.
A entrevista revelou um lado íntimo e vulnerável do artista, destacando não só a dureza da sua trajectória pessoal, mas também o profundo processo de reconciliação emocional que viveu, uma homenagem sentida ao pai, Raúl Damásio, cuja presença discreta, mas firme, deixou uma marca que o cantor hoje assume com orgulho.




